Ataque com Fogo -- Capítulo XII do livro A Arte da Guerra
Bons governantes deliberam planos, e bons generais os executam.
![]() |
| E que a musa dos ataques incendiários nos ajude com nossos planos -- via Poetizando |
Embora não tenham sido os chineses a descobrir como criar e controlar o fogo, e eles só viessem a inventar a pólvora muito tempo depois de Sun Tzu, utilizavam o fogo como um poderoso recurso nas refregas e contendas da época. Tanto que um especialista em assuntos bélicos da China escreveu um livro dedicado ao uso, na guerra, deste elemento e do seu primo mais frio (por assim dizer), a água.
Assim, dificilmente o antigo tratado de estratégia militar deixaria de abordar este tema, embora, misteriosamente, dedique apenas um pequeníssimo pedaço de frase à questão da água:
Quem utiliza o fogo em seus ataques é inteligente; quem utiliza as inundações é poderoso.
E acrescenta:
A água pode isolar o inimigo, mas não destrói suas provisões e equipamentos.
Fica mais ou menos aparente que ele define aqui uma hierarquia, com o fogo garantindo para si, na mente do estrategista, um lugar mais auspicioso que o precioso líquido. Corrobora esta hipótese o fato de metade do capítulo ser dedicado às artes piromaníacas.
Pra começar, ficamos sabendo que existem cinco meios de atacar com fogo: 1) queimar pessoas, 2) provisões, 3) equipamentos, 4) arsenais e 5) ataques incendiários. Além de conhecê-los, deve-se estar sempre vigilante com a sua execução.
Para quase terminar nos é apresentado o já tradicional rol de conselhos:
- Manejar com cuidado
- Manter o equipamento necessário sempre à mão
- Dias com clima seco, calor escaldante e ventos fortes (ah, Palmas!) são os mais apropriados para fazer fogo
- Acompanhar o movimento do fogo e iniciar e ataque quando ele irromper no acampamento inimigo (avançar quando o fogo atingir o auge)
- Atear fogo nas imediações da acampamento inimigo
- Não atacar contra o vento, se o fogo for ateado a favor
- Se o vento soprar de dia, cessará à noite
Como se vê, alguns beiram o ridículo, de tão óbvios; outros, necessitam de um pouco mais de tutano ou de informação para ser melhor compreendidos. Em se tratando de Sun Tzu, claro, não poderia ser diferente. Como também não poderia ser diferente que...
para terminar...
ele passe a falar de coisas que não tem nada a ver com o tema central do capítulo, tais como não se aproveitar de vantagens advindas das vitórias nas batalhas, falha conhecida na época como um "atraso dispendioso" (aliás, isso me lembra, de novo, uma certa série de TV que já mencionei neste humilde blog - dica: tem a ver com jogos e com tronos).
ele passe a falar de coisas que não tem nada a ver com o tema central do capítulo, tais como não se aproveitar de vantagens advindas das vitórias nas batalhas, falha conhecida na época como um "atraso dispendioso" (aliás, isso me lembra, de novo, uma certa série de TV que já mencionei neste humilde blog - dica: tem a ver com jogos e com tronos).
No meio desta bagunça há um trecho que, no fim das contas, trata do que hoje conhecemos como "profissionalismo". Ao aconselhar o soberano a agir somente dentro dos interesses do Estado, explica:
Um soberano não pode convocar o exército só por raiva, e um general não pode lutar apenas por vingança. Uma pessoa com raiva pode recuperar a serenidade, e o ressentido pode ser apaziguado, mas um Estado arruinado não se recupera, e os mortos não podem voltar à vida.(Obviamente, acabo de ter a idea de usar este trecho como base para um diálogo no livro...)
O gran finale vem, então, com a #ficadica de que, por conta disso, "o governante sábio é prudente, e o bom general é ponderado", garantindo, assim, a segurança do Estado e a firmeza do exército. E este acaba sendo, naturalmente, mais um indício de que Bonaparte não leu A Arte da Guerra, ou, se leu, não prestou muita atenção.
Hasta e inté!
Texto anterior - Os Nove Territórios -- Capítulo XI do livro A Arte da Guerra
Próximo texto - O Uso de Espiões -- Capítulo XIII do livro A Arte da Guerra

Nenhum comentário:
Postar um comentário